Quero ser ave,
Experimentar a ilusão da liberdade,
Por um sonho, por um segundo.
Não quero ser este mundo.
Escapatória da esperança impossível
Realizada na chegada
Da viagem aprazível:
Alcanço o inalcançável,
O problemático desejável,
O irracional incrível.
Não poderá ser comprovada.
E do cepticismo que persiste
Eu quero ser libertada.
Libertada desta minha condição,
Humana, suja, degradante,
Efémera maldição,
Estúpida, parva, fascinante.
(O espaço é insignificante)
Provar que neste mundo incerto
A ciência não é brilhante:
Há um antigo saber excitante
Ainda não descoberto.
Para se poder verificar,
Num acto de consciência,
P’lo que o mundo está a passar.
Degrada-se, corrói-se,
Consome-se, destrói-se,
Numa atitude incompreensível
De fundamento inadmissível.
Acredito em potencialidades,
Inúmeras, sem sentido,
Existentes no universo,
Que mesmo sem se ter sabido,
Conseguiram criar idades
Em forma de prosódico verso.
É a origem de tudo, do amor.
Mais vale ser banal.
Porque tudo o que vejo,
Com tudo o que desejo,
È totalmente paradoxal.
Fugir e não voltar,
Deste mundo preso
Em conhecimentos verificáveis
E com excesso de peso
Dos homens intragáveis.
Preciso da minha nave
Para em breve poder voar
E ser ave.

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