quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Ambições passadas e presentes

Quero ser ave,
Experimentar a ilusão da liberdade,
Por um sonho, por um segundo.

Não quero ter idade,
Não quero ser este mundo.
Só quero uma nave,
Escapatória da esperança impossível
Realizada na chegada
Da viagem aprazível:
Alcanço o inalcançável,
O problemático desejável,
O irracional incrível.

Deixem-me ser ave.

Porque a realidade não existe,
Não poderá ser comprovada.
E do cepticismo que persiste
Eu quero ser libertada.

Libertada desta minha condição,
Humana, suja, degradante,
Efémera maldição,
Estúpida, parva, fascinante.

Deixem-me ser ave.

Para voar para longe ou perto,
(O espaço é insignificante)
Provar que neste mundo incerto
A ciência não é brilhante:
Há um antigo saber excitante
Ainda não descoberto.

Porque não é preciso muita ciência
Para se poder verificar,
Num acto de consciência,
P’lo que o mundo está a passar.
Degrada-se, corrói-se,
Consome-se, destrói-se,
Numa atitude incompreensível
De fundamento inadmissível.

Eu, aspirante a pássaro inovador,
Acredito em potencialidades,
Inúmeras, sem sentido,
Existentes no universo,
Que mesmo sem se ter sabido,
Conseguiram criar idades
Em forma de prosódico verso.
É a origem de tudo, do amor.

Porém desisto,
Mais vale ser banal.
Porque tudo o que vejo,
Com tudo o que desejo,
È totalmente paradoxal.

E por isso tento escapar,
Fugir e não voltar,
Deste mundo preso
Em conhecimentos verificáveis
E com excesso de peso
Dos homens intragáveis.

Preciso da minha nave
Para em breve poder voar
E ser ave.


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