Como é bonita a mesquinhez da vida.
Porque é que constantemente me impressiono?
A sério, às vezes pergunto-me, porquê?
Não conhecia já esta imperfeição, que julgava esquecida,
Fruto do ócio e daquilo que essa mente brilhante vê,
Quando me observa, a mim, que a perturbo durante o sono?
Inveja, eufemismo de escasso valor.
Essa palavra não é suficiente.
Precisava de um transformador,
Aliás, dois.
Das aurículas e ventrículos para a mente,
Da mente para a televisão.
Mostrava aos semelhantes, e, depois,
Depois de me apurarem a compreensão,
Através da análise, no sotão da memória,
Do hipotético mal que terei feito àquele,
E a muitos outros seres (decerto o terei feito).
Aí sim, se, por ventura, algum erro fosse eleito,
Dirigir-me-ei a ele,
Sob a luz de uma certeza irrisória.
Sim, dirigia-me a essa "pessoa",
Desculpando-me de uma circunstância menos boa.
Perdoem a frase derradeira,
Essa rima aí de cima, foleira!
Mas não percebo efectivamente.
Resta-me rir num timbre estridente.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Desilusões sempre agradáveis
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Ambições passadas e presentes
Quero ser ave,
Experimentar a ilusão da liberdade,
Por um sonho, por um segundo.
Não quero ser este mundo.
Escapatória da esperança impossível
Realizada na chegada
Da viagem aprazível:
Alcanço o inalcançável,
O problemático desejável,
O irracional incrível.
Não poderá ser comprovada.
E do cepticismo que persiste
Eu quero ser libertada.
Libertada desta minha condição,
Humana, suja, degradante,
Efémera maldição,
Estúpida, parva, fascinante.
(O espaço é insignificante)
Provar que neste mundo incerto
A ciência não é brilhante:
Há um antigo saber excitante
Ainda não descoberto.
Para se poder verificar,
Num acto de consciência,
P’lo que o mundo está a passar.
Degrada-se, corrói-se,
Consome-se, destrói-se,
Numa atitude incompreensível
De fundamento inadmissível.
Acredito em potencialidades,
Inúmeras, sem sentido,
Existentes no universo,
Que mesmo sem se ter sabido,
Conseguiram criar idades
Em forma de prosódico verso.
É a origem de tudo, do amor.
Mais vale ser banal.
Porque tudo o que vejo,
Com tudo o que desejo,
È totalmente paradoxal.
Fugir e não voltar,
Deste mundo preso
Em conhecimentos verificáveis
E com excesso de peso
Dos homens intragáveis.
Preciso da minha nave
Para em breve poder voar
E ser ave.
