sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Horas tardias

Passa o sono,
Fraudulento,
Convertendo uma maré de tormento
Em coisa suave como o vento.

Mas só por um momento.
Pois que o sono fraudulento
Passa estupidamente fugaz,
Trazendo preocupações atrás.

E agora dormir não consigo.
Parvas as emoções que mexem comigo!

Vai-se o sono, vem a esperança
E a angústia, que com ela balança
Simultaneamente.

O amor não é para a gente.


Mas se o for...

...ainda melhor.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Inscrição para o sonho adolescente

Abram-se as portas para a liberdade!
Ilusão? Sim, mas o que seria a vida sem a fantasia ingénua?
Abram-se as portas para a liberdade!
Que está prestes a ser solta mais uma fera
Para as estradas que fazem o desgosto de muito familiar.

Pour moi, chegou uma nova era.
Às cadelas das eventualidades não mais me limitarei a miar.

Vida, já tenho o telemóvel, dinheiro e chaves.
Take me out!

Ironia da causalidade

Finalmente me liberto
Daquele terrível sentimento
Que agora se troca por novo,
Mas verdadeiro, mais aberto.
E tudo, num lusco-fusco de momento,
Me lembra meu tempo d’ovo.

Filme efémero da vida
Que recordo,
Num turbilhão infini-color de luzes felizes.

Não, não concordo
Com esse amor com que a sociedade lida,
“À primeira vista”, dizem os aprendizes
Do que realmente será amar alguém.
Também não sei, admito.
Acredito que só pessoal do além,
Esses que vêm nos livros,
(Jesus, o meu favorito)
Alguma vez se soube humilhar em prol do bem.
Esses sim, não possuem, no telhado, vidros.

Pela primeira vez,
Na minha mente que considero organizada,
Confundo, de uma só vez,
Amor com palhaçada.

Desculpem-me as mentes mais assíduas,
Se é que as tenho,
Mas este meu estado torna até as mais promíscuas
Opiniões sociais que apanho
Em matéria lírica e não lúgubre,
Como usualmente é considerada.

Dançam agora todos os acontecimentos fúnebres
Desta pessoa que está por aqui a esganiçar
A voz prosaica que ao lirismo tenta chegar.

Mas o lirismo já chegou ao coração.

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